Medição de resistência ôhmica: quando fazer e interpretar
Entenda a medição de resistência ôhmica do aterramento: frequência, valores aceitáveis, como interpretar o laudo e quando é preciso adequar o SPDA.
A medição de resistência ôhmica é um dos ensaios mais importantes de um SPDA. Ela indica se o aterramento está eficiente o suficiente para dissipar a corrente de uma descarga atmosférica com segurança. Sem uma medição atualizada, até um sistema visualmente intacto pode estar fora do padrão exigido pela NBR 5419:2026.
Este artigo explica quando fazer a medição, como ela é realizada, como interpretar o resultado e o que fazer quando o valor está fora do limite.
O que é a medição de resistência ôhmica
A resistência ôhmica mede a oposição que o solo oferece à passagem da corrente elétrica. Quanto menor a resistência, melhor o aterramento dissipa a energia. A medição é feita com um terrômetro calibrado, geralmente pelo método de quatro fios, que isola a resistência do eletrodo medido de outros aterramentos próximos.
No contexto do SPDA, a medição verifica se a malha de aterramento continua dentro dos parâmetros projetados e se garante a segurança da edificação.
Quando fazer a medição
A frequência da medição acompanha a periodicidade de inspeção do SPDA prevista na NBR 5419-3, definida pelo nível de proteção da edificação. Além disso, é recomendado refazer a medição após:
- reformas que alterem a malha de aterramento;
- corrosão visível nas caixas de aterramento ou eletrodos;
- queima de equipamentos ou disparo de proteções durante chuvas;
- mudanças significativas na umidade ou no tipo de solo;
- descarga atmosférica direta ou muito próxima.
Para fins de AVCB em São Paulo, a medição costuma fazer parte do laudo anual de SPDA.
Como é feita a medição
O técnico posiciona o terrômetro e hastes auxiliares no solo, respeitando a distância mínima entre os eletrodos. O método de quatro fios elimina a influência de cabos de ligação e de outros aterramentos vizinhos, resultando em um valor confiável.
A medição é rápida, não invasiva e deve ser registrada no laudo técnico com data, equipamento utilizado, localização dos pontos e valor obtido.
Como interpretar o resultado
Não existe um único valor "mágico". O limite aceitável depende do projeto do SPDA, do nível de proteção e das condições do solo. O que importa é comparar o valor medido com o valor projetado e com os critérios da NBR 5419.
De forma geral:
- valores consistentes com o projeto indicam aterramento adequado;
- valores muito acima do esperado indicam degradação da malha, corrosão ou alteração do solo;
- variações bruscas entre medições anteriores e atuais merecem investigação.
O laudo técnico deve apresentar a medição, a referência normativa e a conclusão sobre a necessidade de adequação.
O que fazer quando a resistência está alta
Se a medição indicar que o aterramento não está dentro dos parâmetros, as adequações comuns incluem:
- instalação de novos eletrodos ou anéis de aterramento;
- interligação de malhas existentes;
- tratamento do solo, quando aplicável;
- revisão das conexões e caixas de inspeção.
Essas adequações devem ser projetadas e executadas por profissional habilitado, com emissão de laudo e ART CREA-SP.
Onde a medição entra no laudo de SPDA
A medição de resistência ôhmica é um dos itens documentais do laudo de SPDA. Sem ela, o laudo fica incompleto e pode não ser aceito pelo Corpo de Bombeiros ou pela seguradora.
A ABI Antel realiza medição com terrômetro calibrado e inclui o resultado no laudo técnico assinado com ART CREA-SP.
Conclusão
A medição de resistência ôhmica é a forma objetiva de saber se o aterramento do SPDA realmente funciona. Fazê-la na periodicidade correta, interpretar o laudo com critério e agir quando o valor estiver fora do limite são passos essenciais para manter a edificação protegida e regular.
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